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Escrever assim dá prisão


Existem vários tipos de ficção, aquela que não passa disso mesmo, a que tem bases reais, e a que supondo-se ser ficção é na verdade o relato pormenorizado dos factos passados.
Para quem nunca ouviu falar, Amok é o título de um best-seller escrito por um autor polaco de seu nome Krystian Bala. A narrativa aborda um homicídio de contornos passionais.
Até aqui tudo normal, não fosse o facto de, três anos antes, o autor ter sido também o misterioso assassino de um homem chamado Darius J.
A autoridades encontrava-se num beco sem saída, até que uma chamada telefónica aconselhou o responsável pela investigação a ler Amok. A partir daí o caso ficou desbloqueado, pois no livro eram relatados pormenores até então só do conhecimento da polícia.
As semelhanças do crime narrado com o crime real eram tantas que a polícia não teve dúvidas. E assim um crime quase perfeito teve o final merecido. Tudo porque o assassino achou por bem publicar a história e dar-lhe contornos ficcionais, que de facto tiveram enorme sucesso e o catapultaram para o top de vendas.

"Na novela, como na realidade, o protagonista do crime, levado por ciúmes, sequestrou o amante da mulher num sótão durante três dias, sem lhe permitir comer, apunhalando-o antes de o lançar ao [Rio] Oder, onde viria a morrer de afogamento" (In. Jornal Público On-Line).

Comentários

Extraordinariamente bonito e elucidativo este texto. Desconhecia e achei muito interessante. É o que eu acho de mais gratificante na blogosfera: esta partilha de saberes e opiniões. Tenho aprendido muito por aqui e tu tens sido um bom vizinho.
Um abraço.
Anónimo disse…
e repente lembrei-me do filme " Instinto Selvagem " com a Sharon Stone.
Crítico disse…
Obrigado Silêncio Culpado.
A boa vizinhança é salutar.

Cumprimentos.
Carreira disse…
Mais uma vez, a realidade e a ficção tocam-se, romance e assassinato tiveram as mesmas mãos a trabalhar. Que estará a pensar, neste momento, quem leu o livro?

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