segunda-feira, 28 de novembro de 2005

Salvar o Mundo


Digam que querem salvar o mundo e o vosso interlocutor rir-se-á de vocês. Ele por ser um acomodado e um incapaz, uma mente obtusa, julga tal tarefa impossível, e talvez desnecessária. Mas por muito que nos custe sair do acomodamento, do nosso ninho confortável, infelizmente o mundo necessita de ser salvo.
Muitos dirão que tal tarefa caberá aos grandes líderes e eu não digo que em parte o processo não passe por eles, mas o verdadeiro salvador é o anónimo, o comum dos mortais que com pouco pode fazer muito. E pensando em líderes basta atentar no presidente norte americano, aquele palhaço (desculpem-me os palhaços), que o mais certo, caso dependêssemos dele, seria a extinção da espécie humana.
Tudo isto para vos falar do livro The Rough Guide to a Better World, um guia essencial para nos conduzir na construção de um mundo melhor, tornando-nos partes activas na causa.
The Rough Guide to a Better World orienta-nos no sentido de combatermos a pobreza. Este mal é bem conhecido nas sociedades desenvolvidas, apesar dos esforços daqueles que combatem a fome, as doenças e a iliteracia serem pouco divulgados.
Este guia mostra-nos como nos podemos envolver, abordando:
- as questões: como a prosperidade nos países pobres nos beneficia a todos; como funciona o desenvolvimento; e porque é que as más notícias são apenas metade da história.
- os desafios: a forma como os países desenvolvidos encaram a natureza e a amplitude do problema.
- cinco formas de mudar o mundo: como o activismo, o comercio e o turismo ético ou justo, a caridade e o voluntariado podem ajudar.
- a informação: informando-nos o que fazer, desde alterações nos hábitos de consumo, até uma mudança de emprego. Mostrando-nos as formas mais eficazes de contribuir e dando-nos contactos de organizações apropriadas.

Lançado em Inglaterra onde é distribuído nos postos dos correios, gratuitamente, difundiu-se por todo o globo via Internet. Os pedidos podem ser feitos para
http://www.roughguide-betterworld.com/ pagando-se apenas os portes. Há ainda a possibilidade de o descarregar em formato pdf.

Be part of it.

terça-feira, 23 de agosto de 2005

Candidatos Autárquicos


Aproximam-se as eleições autárquicas e com elas todo o espectáculo circense já característico. Entre os muitos artistas de renome, deste circo político português, destaque especial para os palhaços Fátima Felgueiras, Valentim Loureiro e Isaltino Morais. Candidatos independentes pelas autarquias de Felgueiras, Gondomar e Oeiras, respectivamente.
O público pagante para ver o circo na primeira fila são os inacreditáveis milhares de apoiantes destas figuras caricatas.
Fátima Felgueiras pondera ainda se será ou não candidata, dependendo das condições judiciais. O seu movimento independente “Sempre Presente” demonstra bem a sua credibilidade, pois a candidata encontra-se fugida no Brasil desde Maio de 2003, na sequência de ter sido decretada a sua prisão preventiva no âmbito do processo do “saco azul” de Felgueiras.
O grupo independente que apoia o Major Valentim Loureiro (indiciado no processo “Apito Dourado”, relativo à corrupção no futebol) dá pelo nome de “Gondomar no Coração”, que reuniu 8000 assinaturas, o dobro do necessário, para formalizar a lista. E eu pergunto: quem serão estas pessoas, terão elas recebido algum electrodoméstico na campanha eleitoral anterior e sentir-se-ão desta forma em dívida para com o Major?
O ex-ministro das cidades Isaltino Morais, arguido num processo que envolve contas bancárias suas na Suíça, não declaradas ao Tribunal Constitucional, e que ditou a sua saída do Governo PSD/CDS, em Março de 2003, será candidato, também independente, pela Autarquia de Oeiras onde já foi presidente durante 16 anos.
Para além destes três poderia ainda apontar outros, mas estes bastam para exemplificar o estado da política no nosso país. Indivíduos a mãos com a justiça sem a humildade suficiente para abdicar do poder que lhes turva a alma. Em caso de inocência deveriam limpar primeiramente o seu nome antes de avançarem de forma dúbia com candidaturas de recurso.

segunda-feira, 15 de agosto de 2005

Fogos


Inacreditavelmente, quando supunhamos não poder ser pior, o país continua a arder de ano para ano. Os políticos, esses limitam-se a colocar trancas na porta depois da casa ter sido assaltada. Tomam-se medidas de remedeio e por vezes ridículas.
Mas afinal porquê tantos incêndios? O calor excessivo não os justifica. Nos países do sul da Europa o cenário não se compara ao nosso. Quais as causas então? Provavelmente, somos o país com mais incendiários per capita e isso deve-se como é óbvio ao facto de ser uma actividade bem remunerada, e não me venham com cantigas dizendo que os homens são doentes, a patologia deles é outra: o dinheiro. Quer sejam os madeireiros (que compram a madeira mais barata se esta estiver com a casca estorricada) ou as empresas de aviação (que possuem helicópteros necessários ao combate aos fogos, pagos a peso de ouro) o que é certo é que há interessados no meio desta desgraça.
Como se pode resolver este problema? Antes de mais as penas deveriam ser exemplares para aqueles que fazem dos fogos um negócio; as empresas de aviação que participam no combate aos fogos deveriam ser públicas e não privadas; seria necessário adquirir meios eficazes e modernos para o combate às chamas (a verba dispendida com os submarinos adquiridos pelo Sr. Paulo Portas seria mais do que suficiente para colmatar esta gravíssima falha); o preço da madeira queimada não deveria ser tão dispare em relação à madeira verde (grande parte das vezes só a casca das arvores esta queimada, a madeira em si encontra-se em boas condições); e por último, mas não menos importante, limpar as matas e florestas, factor tão descurado no nosso território (mão-de-obra não falta, há tanto soldado a ganhar balúrdios por passar o dia a jogar cartas e a dormir nos quartéis).
No caso de Portugal os fogos não serão extintos com água, mas sim com uma política adequada e com a coragem necessária para se acabar com o jogo de interesses tão comuns na nossa terra.
Temo que antes que isso aconteça arda toda a mancha verde.

domingo, 10 de julho de 2005

Portugal nuclear


Há já alguns dias tivemos conhecimento que o empresário português Patrick Monteiro de Barros ia propor ao Governo a instalação de uma central nuclear em Portugal. Inicialmente, ao consultar um jornal on-line, pensei ter lido mal, mas depois de reler a notícia várias vezes cai em mim. Estupefacto por tão grande barbaridade acalmou-me a ideia de que tal absurdo não poderá jamais seguir em frente.
Existem demasiados contras que só por si têm que abortar esta ideia à nascença. Em primeiro lugar, e sem ordem de preferência, temos o elevado investimento que teria que ser feito, sobretudo para um pequeno país como o nosso e estando dependentes da tecnologia estrangeira. Em segundo lugar, existe o perigo de gravíssimos acidentes, basta recordar as tragédias de Chernobyl, na actual Ucrânia, e de Three Mile Island, nos Estados Unidos da América. Já para não falar do apetite das facções terroristas por estas instalações. Se bem que neste último ponto não haverá que preocupar, pois somos demasiadamente pequenos, felizmente. Em terceiro lugar, o destino incerto a dar aos resíduos tóxicos, cujo transporte é perigoso e o armazenamento muito dispendioso requerendo elevada segurança. Por último, a questão climatérica, visto este tipo de energia não ser limpa e necessitar de usar combustível fóssil.
A tendência europeia, actualmente, é exactamente oposta a esta política, privilegiando-se as energias renováveis e a conservação energética. As centrais nucleares da Europa estão progressivamente a ser desmanteladas. Por que razão existem pessoas que tendem sempre a remar contra a corrente, levando o nosso pais cada vez mais para a cauda do verdadeiro desenvolvimento ecológico e consciente?
A solução passa por apostar em energias renováveis, aplicando as medidas previstas no Plano Nacional para as Alterações Climáticas. Ou os planos, como é hábito em Portugal, só servem para não ser cumpridos?
E quanto ao Sr. Patrick Monteiro de Barros, aplique melhor o seu tempo, vá jogar golfe por exemplo, e todos ficaremos a ganhar.

sábado, 9 de julho de 2005

Portugueses e o atentado


Lê-se num jornal de gabarito nacional o seguinte título: Londres: cidadão ferido que se suspeitava ser português é colombiano. Que alívio, afinal não era português, mas sim colombiano, o desgraçado. Morreram 50 pessoas, mais de 700 ficaram feridas, mas nenhuma era deste nosso Portugal, assim durmo mais descansado.
Que se passa com este nacionalismo exacerbado que até nas desgraças deixa transparecer a sua maleita. Será possível que haja gente que se preocupe com a presença de portugueses numa tragédia deste calibre, a ponto de lhe dar destaque constante nas primeiras páginas dos noticiários. Morreu gente, gente como eu, como nós, que independentemente da nacionalidade eram seres humanos, não interessa saber a nacionalidade, o sexo, a religião ou outro, eram pessoas que faleceram estupidamente fruto dos nossos tempos e das políticas que hoje vigoram um pouco por todo o planeta.
Será que os jornalistas não têm mais assunto para escrever, ficando a especular em temas fúteis e de interesse secundário? Pergunto-me se não será a comunicação social que temos que embrutece a gente e este povinho agarrado a superficialidades e novelas.