terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Reflexão

Fico receoso em relação ao futuro da cultura quando vejo tantos adultos sentados à mesa do café, nos transportes públicos, um pouco por todo o lado, a jogar desenfreadamente nos seus smartphones e tablets. Dá a sensação que o livro está em vias de extinção.

domingo, 7 de agosto de 2016

Sucesso

Para muitos a busca de sucesso prende-se apenas com a realização financeira e profissional, quando na realidade o verdadeiro sucesso só pode ser alcançado quando todas as áreas da sua vida atingiram esse topo. Financeiro e profissional claro, mas sucesso familiar, uma família plena; sucesso na saúde, com vitalidade e energia a rodos; sucesso espiritual, quer siga um credo específico ou não, é um dos pontos chaves; sucesso nos relacionamentos, sem os quais não se pode estar completo. 

Sucesso é muito mais do que money, money. Sem as áreas atrás referidas estarem completas o sucesso simplesmente financeiro não passará só de uma fachada, a verdadeira felicidade não existirá.

sábado, 30 de julho de 2016

O valor da História nos nossos tempos

Vivemos numa época em que o tempo corre mais rápido do que nunca, as solicitações do dia a dia são crescentes. Desde tenra idade se sai de casa muito cedo e se chega muito tarde, deixando pouco espaço tanto a adultos como a crianças para o lazer, para o explorar outras áreas do conhecimento. Essa demanda constante leva a que algumas disciplinas sejam relegadas para segundo plano. Temos o exemplo da História. Para muitos esta, à primeira vista, não parece fundamental, mas é um pilar da sociedade, sobretudo de sociedades livres e que assim queiram continuar. É urgente conhecer a nossa História.

Como se costuma dizer, quem faz a História são os vencedores, e acredito que em certa medida assim seja, contudo há factos que são inegáveis, acontecimentos que no decorrer dos tempos se foram verificando e que levaram ao colapso de civilizações. Catástrofes que poderiam ser evitadas se o povo fosse mais culto a esse nível e tivesse bem presente acontecimentos históricos, por vezes, muito recentes.

Atualmente, o mundo vive numa das épocas de maior estabilidade, de paz e de comunicação, no entanto, há sinais de que tal poderá não durar muito mais tempo. Desde extremismos que começam a despontar novamente; insatisfação geral do povo em relação a muitos aspetos da vida quotidiana, sem se reverem na maioria da classe política; líderes radicais que vão surgindo aqui e acolá, com um crescente número de apoiantes, e que inicialmente não parecem constituir ameaça, mas quando se acordar poderá ser demasiado tarde.

A História ensina, ensina através da experiência, outros já deram as suas vidas para que o mundo se tornasse num local melhor, não há necessidade de se passar pelas mesmas provações. Outras provas nos serão colocadas, mas as mesmas eram de se evitar. É só estudar e facilmente se consegue visualizar que caminhos não podem nem devem ser seguidos, pois o resultado dessas vias já foi comprovado repetidas vezes.

sábado, 23 de julho de 2016

Vivemos numa época de paz, parece mentira, mas é verdade.

Vivemos numa das épocas mais pacificas de toda a história da humanidade, por muito estranhas que pareçam estas palavras é verdade. Nunca houve tão poucos conflitos armados, nunca houve tanta paz, nunca os povos foram tão tolerantes e nunca os seres humanos tiveram tanto acesso à cultura, que é a principal arma contra a ignorância, contra regimes totalitários, contra a própria guerra.

O que faz parecer com que o parágrafo acima seja absurdo é o facto de hoje nos entrar pelas casas dentro, e não só em casa, mas em qualquer lugar, uma torrente de informação como nunca antes. Ou seja, enquanto no passado sabíamos das notícias trágicas por um ou outro jornal de maior tiragem, ou por um amigo, hoje essa tragédia chega-nos aumentada pela repetição constante dos orgãos de comunicação social e muito mais ainda pelas redes sociais. Tragédia essa muitas vezes caseira, sem impacto comunitário e muito menos mundial, mas explorada como se assim fosse.

O mais detraído dirá que vivemos num mundo muito mais violento, muito mais perigoso do que há 100 anos atrás. A verdade é que as noticias que nos chegam todos os dias a toda a hora, para aqueles que tem sempre uma tv ligada nos canais noticiosos, ou para os que, no bolso, recebem notificações constantes do que se passa, são focadas na desgraça, na tragédia, são noticias e relatos somente do esmiuçar da catástrofe.

Obviamente que é necessário estarmos informados, e há acontecimentos que requerem mais tempo de antena, como são os atentados terroristas em escala, mas muito mais do que isso nos conspurca o sossego. Muitos há que já deixaram de ver tv exatamente por esse facto, pelo exagero informativo de baixa qualidade.

Hoje há que saber selecionar a informação e não se deixar envolver demasiado por ela. Há os que são menos influenciáveis, mas também os há que ao verem desgraça alheia a toda a hora se sentem numa vivência depressiva temendo a sua hora que pode chegar a qualquer momento.

O problema está em não saber gerir o que se vê. Tanta coisa boa acontece no mundo, tanta realização, tanto bom exemplo, tanto companheirismo, solidariedade, partilha de sucessos. É preferível ir por aí, sem claro fecharmos os olhos ao que está mal, ao que tem de ser mudado, claro que não, mas menos foco, menos esmiuçar até à exaustão de assuntos que morreram após cinco minutos de explanação, mas que se continuam a dissecar por horas, dias.

O mundo nunca esteve tanto de feição. Basta olhar com atenção à volta. E é urgente que comece por nós a luta para que a paz continue e que não se voltem a repetir cenários que mudaram o curso da humanidade, é importante estarmos atentos e fazer a nossa parte para que a história recente não se volte a repetir. Apesar desta época mais pacifica apenas se passaram 71 anos do fim da segunda guerra mundial e 98 da primeira grande guerra, sem falar de todos os conflitos armados do século passado, desde a guerra do Vietname até à guerra colonial.

Cabe a cada um não ser ovelha, saber distinguir a informação e poder agir em prol de uma comunidade cada vez melhor, mais justa, solidária e pacífica, onde os radicalismos e extremismos não possam ter lugar. Uma das chaves está na educação, na cultura e no acesso continuado a conteúdos de qualidade. Essa é uma responsabilidade dos governos, dos orgãos de comunicação social e de todos os opinion makers.


domingo, 17 de julho de 2016

A moda das cesarianas

O aumento das cirurgias na hora do parto não é assunto novo, mas cada vez mais vem à baila, pois tem aumentado em todo o mundo, apesar dos alertas. Recentemente, saiu no jornal Expresso um artigo que aborda esta temática, datado de 20 de junho, intitulado: Mitos e verdades do parto por cesariana. Nele se esbatem as razões que levam maioritariamente à cirurgia para o parto. Uma boa parte é escolha da própria mãe, que julga assim causar menos sofrimento à criança e que ela própria irá sofrer menos, mas ledo engano, pois esse tipo de parto trará muito mais complicações, tanto para a mãe como para a criança (ver imagem abaixo).

Muitas mulheres na tentativa de fugir à dor, ao medo, e por julgarem que esse menor sofrimento trará benefício também à criança optam por essa modalidade, muitas vezes apoiadas pelos médicos, sobretudo do setor privado, pois assim terão um parto agendado, evitando o “transtorno” de ter de se deslocar ao hospital durante a noite ou ao fim-de-semana. 

Em Portugal a taxa de cesarianas no público ronda os 28% da totalidade dos partos, mas no privado essa taxa chega aos impressionantes 66%. Há médicos que têm no seu registo pessoal 100% de cesarianas nos partos que fazem. No Brasil, o público tem uma taxa de 55,6%, ao passo que o privado ultrapassa os 80%. Já na Islândia, os números são os mais baixos, 15,2% no público.

«(…) a falta de contacto dos recém-nascidos com os microorganismos da cavidade vaginal altera a reação imunitária do intestino, o que resulta em 25% de probabilidade de estes bebés virem a desenvolver diabetes tipo 2, asma e obesidade», diz Ayres de Campos da CRTC.

O parto provocado, também muito em voga, muitas vezes por comodidade e não por real necessidade, leva com frequência à necessidade de cesariana.

Muitos mitos há sobre esta temática, e muitas mulheres, muitas famílias, optam pela cesariana por julgarem que será melhor para elas e para a criança, não estão informadas do verdadeiro perigo que tal ato pode acarretar.


Viver no século XXI e usufruir da medicina evoluída, da ciência, da tecnologia, é uma mais valia, e realmente quando necessária a cesariana salva vidas, mas só nesses casos, jamais se deveria usar só para comodidade médica ou por capricho da mãe (que tem o dever de proteger a criança), ou pior ainda, por desinformação. Cabe ao médico agir consoante a sua responsabilidade para com a saúde da mãe e sobretudo da criança que não tem opção de escolha.


sábado, 9 de julho de 2016

Chegou a nossa vez



Novamente o futebol no post semanal deste blog, mas justifica-se, a nação portuguesa está em suspenso, a viver um momento único, o alcance de uma final do campeonato europeu de futebol. Este feito é ainda mais grandioso do que quando em 2004 atingimos essa mesma fase, mas nessa altura tínhamos a vantagem de jogar em casa que é sempre um estímulo extra, e o apoio nesse ano foi uma coisa de outro mundo, com bandeiras em todas as janelas e um sentimento de união nunca antes visto. Infelizmente, a frieza dos gregos levou a melhor e ficamos às portas da máxima comemoração.

Este ano será diferente, o apoio continua extraordinário, tendo em conta que a competição ocorre no estrangeiro. Os emigrantes e todos os turistas futebolísticos portugueses têm dado apoio incondicional, assim como todos os que permaneceram no país mas mostram o seu fervor através das redes sociais. Este ano temos de fazer das tripas coração, vamos competir não só contra uma das melhores seleções do mundo, como o vamos fazer em sua casa, com um estádio repleto de adeptos franceses, e claro, contra a organização também, pois nestes casos costuma haver favorecimentos que em nada dignificam a competição.
Que este sentimento que vem ao de cima nestes campeonatos possa perdurar, que a união deste povo continue após a competição e que este país seja cada vez mais um exemplo de luta comum rumo a uma sociedade mais justa, mais correta, de apoio verdadeiro e entreajuda.

Eu acredito. Força Portugal.

sábado, 2 de julho de 2016

O ser português

Em pleno Euro 2016 e em todo o seu esplendor o povo une-se abraçado à bandeira das quinas a sofrer e a festejar com a seleção nacional. Mais do que nunca se sente a união de uma nação quase milenar, se percebe de onde viemos, a nossa história e a nossa fibra. Mas é também nestas altura que o povo oscila entre a euforia desmedida do "somos os maiores" e a critica acutilante e desesperada do "é sempre a mesma coisa".
É este misto de sentimentos que também nos caracteriza, num momento eleva-se ao sétimo céu o dito melhor jogador do mundo e no seguinte já se espezinha o mesmo só porque falhou uma bola certa, e meu menino, não há quem o salve da acutilância, da critica irrefletida daqueles que têm o sangue a ferver.
Não sou sociólogo, mas muito há a estudar nestes campeonatos da Europa. Um jogo que pode movimentar a economia, que pode trazer confiança a um povo que cresce com o fado no goto, com a fatalidade sempre presente, o medo de não conseguir. Mas por outro lado há uma coragem que surge em momentos chave que nos dita os desígnios e as vitórias que século após século nos trouxeram ao momento presente.
O ser português é algo magnífico. Somos um povo pequeno em número e em território, mas grande em alma e em presença pelo mundo. Desde o Infante D. Henrique, que nos colocou o bichinho da exploração e da aventura marítima, não mais paramos de nos expandir pelos quatro cantos deste planeta.
Somos assim, temos uma alma do tamanho de uma vela enfunada que nos leva por mares agitados, vencendo adamastores, e no fim... no fim, temos sempre a ilha dos amores.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Brexit ou o princípio do fim


A partir do dia de hoje a Europa não voltará a ser a mesma. Os britânicos, na sua maioria, ainda que por pequena escala, decidiram que não querem mais fazer parte desta união. Não só os habitantes do Reino Unido, como a restante Europa a 27 está expectante sobre que tempos se avizinham.

Vive-se atualmente muita tensão a nível mundial e europeu, seja pelos conflitos económicos, pelo terrorismo, ou pelas vagas nunca vistas de imigração. Uma solução é urgente.

Na segunda metade da década de 60, do século passado, e ainda sobre as feridas abertas da segunda grande guerra, seis países uniram-se na Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, que viria a originar mais tarde a União Europeia, e que em certa medida nasceu para evitar conflitos armados como o que na altura havia arrasado a Europa, pela segunda vez no mesmo século.

Uma boa parte dos britânicos nunca foram adeptos desta união, senão veja-se, logo em 1975, dois anos após a sua adesão, foi feito o primeiro referendo, tendo nessa altura o voto na permanência vencido com cerca de 2/3. Após todas estas décadas uma boa parte dos insulares veio definitivamente demonstrar que pretendem ser independentes e que terão mais sucesso económico desta forma. A ver vamos.

Não é necessário estudar-se muito para se perceber que o Reino Unido é uma grande potência e um pilar fundamental na estrutura europeia: 
- a economia britânica era a segunda maior da UE atrás da alemã;
- era um dos países que pagava mais do que aquilo que recebia da UE;
- Londres era a maior praça financeira da UE, apesar de não ter aderido ao euro (outro fator que demonstra que nunca estiveram realmente "in"), era ali que se realizavam a maior parte das transações nessa moeda;
- era o país que tinha as Forças Armadas com maior capacidade dos 28.

Muitos britânicos ficaram incrédulos, não acreditando nos resultados, alguns mesmo dizendo que sentiam nesse momento vergonha de pertencerem à nação do Brexit.

Os dados são claros.
Votos no Brexit: meios rurais e pequenas cidades; população com mais idade, acima dos 65 anos; com pouca escolaridade e dificuldades económicas; sul e leste mais conservador; assim como o País de Gales.
Votos na permanência: grandes cidades, encabeçadas por Londres; jovens profissionais e estudantes universitários; classe média; Escócia e Irlanda do Norte.

A União Europeia estava doente e agora foi ferida com gravidade. Vai necessitar de um bom período de convalescença para recuperar, se é que não foi ferida de morte.

Uma nota final, Boris Johnson, antigo mayor de Londres, e um dos sérios candidatos a ser o sucessor do demissionário David Cameron faz lembrar, e não é só na imagem, outro candidato à liderança dos desígnios de outro grande país, Donald Trump. O que nos reservará o futuro?!