terça-feira, 23 de agosto de 2005

Candidatos Autárquicos


Aproximam-se as eleições autárquicas e com elas todo o espectáculo circense já característico. Entre os muitos artistas de renome, deste circo político português, destaque especial para os palhaços Fátima Felgueiras, Valentim Loureiro e Isaltino Morais. Candidatos independentes pelas autarquias de Felgueiras, Gondomar e Oeiras, respectivamente.
O público pagante para ver o circo na primeira fila são os inacreditáveis milhares de apoiantes destas figuras caricatas.
Fátima Felgueiras pondera ainda se será ou não candidata, dependendo das condições judiciais. O seu movimento independente “Sempre Presente” demonstra bem a sua credibilidade, pois a candidata encontra-se fugida no Brasil desde Maio de 2003, na sequência de ter sido decretada a sua prisão preventiva no âmbito do processo do “saco azul” de Felgueiras.
O grupo independente que apoia o Major Valentim Loureiro (indiciado no processo “Apito Dourado”, relativo à corrupção no futebol) dá pelo nome de “Gondomar no Coração”, que reuniu 8000 assinaturas, o dobro do necessário, para formalizar a lista. E eu pergunto: quem serão estas pessoas, terão elas recebido algum electrodoméstico na campanha eleitoral anterior e sentir-se-ão desta forma em dívida para com o Major?
O ex-ministro das cidades Isaltino Morais, arguido num processo que envolve contas bancárias suas na Suíça, não declaradas ao Tribunal Constitucional, e que ditou a sua saída do Governo PSD/CDS, em Março de 2003, será candidato, também independente, pela Autarquia de Oeiras onde já foi presidente durante 16 anos.
Para além destes três poderia ainda apontar outros, mas estes bastam para exemplificar o estado da política no nosso país. Indivíduos a mãos com a justiça sem a humildade suficiente para abdicar do poder que lhes turva a alma. Em caso de inocência deveriam limpar primeiramente o seu nome antes de avançarem de forma dúbia com candidaturas de recurso.

segunda-feira, 15 de agosto de 2005

Fogos


Inacreditavelmente, quando supunhamos não poder ser pior, o país continua a arder de ano para ano. Os políticos, esses limitam-se a colocar trancas na porta depois da casa ter sido assaltada. Tomam-se medidas de remedeio e por vezes ridículas.
Mas afinal porquê tantos incêndios? O calor excessivo não os justifica. Nos países do sul da Europa o cenário não se compara ao nosso. Quais as causas então? Provavelmente, somos o país com mais incendiários per capita e isso deve-se como é óbvio ao facto de ser uma actividade bem remunerada, e não me venham com cantigas dizendo que os homens são doentes, a patologia deles é outra: o dinheiro. Quer sejam os madeireiros (que compram a madeira mais barata se esta estiver com a casca estorricada) ou as empresas de aviação (que possuem helicópteros necessários ao combate aos fogos, pagos a peso de ouro) o que é certo é que há interessados no meio desta desgraça.
Como se pode resolver este problema? Antes de mais as penas deveriam ser exemplares para aqueles que fazem dos fogos um negócio; as empresas de aviação que participam no combate aos fogos deveriam ser públicas e não privadas; seria necessário adquirir meios eficazes e modernos para o combate às chamas (a verba dispendida com os submarinos adquiridos pelo Sr. Paulo Portas seria mais do que suficiente para colmatar esta gravíssima falha); o preço da madeira queimada não deveria ser tão dispare em relação à madeira verde (grande parte das vezes só a casca das arvores esta queimada, a madeira em si encontra-se em boas condições); e por último, mas não menos importante, limpar as matas e florestas, factor tão descurado no nosso território (mão-de-obra não falta, há tanto soldado a ganhar balúrdios por passar o dia a jogar cartas e a dormir nos quartéis).
No caso de Portugal os fogos não serão extintos com água, mas sim com uma política adequada e com a coragem necessária para se acabar com o jogo de interesses tão comuns na nossa terra.
Temo que antes que isso aconteça arda toda a mancha verde.