domingo, 10 de julho de 2005

Portugal nuclear


Há já alguns dias tivemos conhecimento que o empresário português Patrick Monteiro de Barros ia propor ao Governo a instalação de uma central nuclear em Portugal. Inicialmente, ao consultar um jornal on-line, pensei ter lido mal, mas depois de reler a notícia várias vezes cai em mim. Estupefacto por tão grande barbaridade acalmou-me a ideia de que tal absurdo não poderá jamais seguir em frente.
Existem demasiados contras que só por si têm que abortar esta ideia à nascença. Em primeiro lugar, e sem ordem de preferência, temos o elevado investimento que teria que ser feito, sobretudo para um pequeno país como o nosso e estando dependentes da tecnologia estrangeira. Em segundo lugar, existe o perigo de gravíssimos acidentes, basta recordar as tragédias de Chernobyl, na actual Ucrânia, e de Three Mile Island, nos Estados Unidos da América. Já para não falar do apetite das facções terroristas por estas instalações. Se bem que neste último ponto não haverá que preocupar, pois somos demasiadamente pequenos, felizmente. Em terceiro lugar, o destino incerto a dar aos resíduos tóxicos, cujo transporte é perigoso e o armazenamento muito dispendioso requerendo elevada segurança. Por último, a questão climatérica, visto este tipo de energia não ser limpa e necessitar de usar combustível fóssil.
A tendência europeia, actualmente, é exactamente oposta a esta política, privilegiando-se as energias renováveis e a conservação energética. As centrais nucleares da Europa estão progressivamente a ser desmanteladas. Por que razão existem pessoas que tendem sempre a remar contra a corrente, levando o nosso pais cada vez mais para a cauda do verdadeiro desenvolvimento ecológico e consciente?
A solução passa por apostar em energias renováveis, aplicando as medidas previstas no Plano Nacional para as Alterações Climáticas. Ou os planos, como é hábito em Portugal, só servem para não ser cumpridos?
E quanto ao Sr. Patrick Monteiro de Barros, aplique melhor o seu tempo, vá jogar golfe por exemplo, e todos ficaremos a ganhar.

sábado, 9 de julho de 2005

Portugueses e o atentado


Lê-se num jornal de gabarito nacional o seguinte título: Londres: cidadão ferido que se suspeitava ser português é colombiano. Que alívio, afinal não era português, mas sim colombiano, o desgraçado. Morreram 50 pessoas, mais de 700 ficaram feridas, mas nenhuma era deste nosso Portugal, assim durmo mais descansado.
Que se passa com este nacionalismo exacerbado que até nas desgraças deixa transparecer a sua maleita. Será possível que haja gente que se preocupe com a presença de portugueses numa tragédia deste calibre, a ponto de lhe dar destaque constante nas primeiras páginas dos noticiários. Morreu gente, gente como eu, como nós, que independentemente da nacionalidade eram seres humanos, não interessa saber a nacionalidade, o sexo, a religião ou outro, eram pessoas que faleceram estupidamente fruto dos nossos tempos e das políticas que hoje vigoram um pouco por todo o planeta.
Será que os jornalistas não têm mais assunto para escrever, ficando a especular em temas fúteis e de interesse secundário? Pergunto-me se não será a comunicação social que temos que embrutece a gente e este povinho agarrado a superficialidades e novelas.