segunda-feira, 30 de julho de 2007

Comunicação Social


Não vejo notícias e raramente leio jornais. A informação que hoje é veiculada na maioria dos nossos órgãos de comunicação social é tão pobre que não vale o desperdício de 15 minutos.
Em tempos tinha prazer em adquirir o jornal e folheá-lo, acertando-me com o mundo. Deixei de o fazer quando me apercebi que o desacerto era maior depois de o ler. Tomei consciência que as notícias são quase sempre as mesmas, ou muito semelhantes: atentados no Iraque; conflito israelo-palestino; crise económica; criminalidade; etc. Um manancial de negativismo, uma fonte de medo, alimento primordial da nossa sociedade.
Deixei praticamente de ver televisão, tendo chegado a viver cerca de dezoito meses sem tal aparelho em casa.
Hoje os poucos programas que vejo confinam-se à grelha da RTP 2 (uma a duas horas semanais, se tanto).
Em relação à imprensa, por vezes, dou uma vista de olhos ao Público e de trás para a frente, pois desta forma quando chego aos temas ditos grandes abandono a leitura.
A Internet possibilita o acesso à informação mais seleccionada, e em relação aos temas de grande destaque é impossível fugir-lhes, a não ser que ande de venda nos olhos e tampões nos ouvidos.
Não pretendo ser influenciado pela mediocridade da maioria da comunicação social, que é dirigida a uma massa de gente ávida por desgraça alheia.

Tenho uma questão para a qual ainda não tenho resposta e talvez me possam ajudar: Será a nossa sociedade que molda a comunicação social, ou pelo contrário, a comunicação social que molda a sociedade?

(Perdoem-me aqueles que não se inserem neste saco)

Um exemplo sobre o estado da política.

Através do blog Cegueira Lusa, do amigo José Carreira, tive conhecimento do seguinte texto: "Quanto mais os partidos demorarem a reformar-se, mais provável será que se tornem desnecessários ao sistema", publicado no jornal Público a 27 do corrente mês, pelo Sr. Joaquim Jorge.
Não poderia deixar passar tal pérola sem aqui fazer referência. Aconselho vivamente a leitura do mesmo e para vos aguçar o apetite deixo o seguinte excerto: "os partidos são máquinas de "tachos" e de carreiras, exímios em afastar quem tenha valor ou luz própria, quem pense pela sua cabeça e quem não precisa da política para viver."
Digo mais, a política como hoje existe deveria ser extinta para dar lugar a uma forma de poder justo e solidário, despojada de interesses e riquezas sujas. Duvido que o próprio termo algum dia recuper e se volte a usar a palavra política sem estar associada a algo asqueroso.

domingo, 15 de julho de 2007

O atestado médico

Hoje recebi um mail de uma amigo com o texto que passo a transcrever e que peço que leiam com atenção:

"O atestado médico", por José Ricardo Costa, retirado do jornal O Torrejano:

«Imagine o meu caro que é professor, que é dia de exame do 12º ano e vai ter de fazer uma vigilância. Continue a imaginar. O despertador avariou durante a noite. Ou fica preso no elevador. Ou o seu filho, já à porta do infantário, vomitou o quente, pastoso, húmido e fétido pequeno-almoço em cima da sua imaculada camisa. Teve, portanto, de faltar à vigilância. Tem falta.
Ora esta coisa de um professor ficar com faltas injustificadas é complicada, por isso convém justificá-la. A questão agora é: como justificá-la? Passemos então à parte divertida. A única justificação para o facto de ficar preso no elevador, do despertador avariar ou de não poder ir para uma sala do exame com a camisa vomitada, ababalhada e malcheirosa, é um atestado médico.
Qualquer pessoa com um pouco de bom senso percebe que quem precisa aqui do atestado médico será o despertador ou o elevador. Mas não. Só uma doença poderá justificar sua ausência na sala do exame. Vai ao médico. E, a partir este momento, a situação deixa de ser divertida para passar a ser hilariante.
Chega-se ao médico com o ar mais saudável deste mundo. Enfim, com o sorriso de Jorge Gabriel misturado com o ar rosado do Gabriel Alves e a felicidade do padre Melícias. A partir deste momento mágico, gera-se um fenómeno que só pode ser explicado através de noções básicas da psicopatologia da vida quotidiana. Os mesmos que explicam uma hipnose colectiva em Felgueiras, o holocausto nazi ou o sucesso da TVI.
O professor sabe que não está doente. O médico sabe que ele não está doente. O presidente do executivo sabe que ele não está doente. O director regional sabe que ele não está doente. O Ministério da Educação sabe que ele não está doente. O próprio legislador, que manda a um professor que fica preso no elevador apresentar um atestado médico, também sabe que o professor não está doente.
Ora, num país em que isto acontece, para além do despertador que não toca, do elevador parado e da camisa vomitada, é o próprio país que está doente. Um país assim, onde a mentira é legislada, só pode mesmo ser um país doente.
Vamos lá ver, a mentira em si não é patológica. Até pode ser racional, útil e eficaz em certas ocasiões. O que já será patológico é o desejo que temos de sermos enganados ou a capacidade para fingirmos que a mentira é verdade.
Lá nesse aspecto somos um bom exemplo do que dizia Goebbels: uma mentira várias vezes repetida transforma-se numa verdade. Já Aristóteles percebia uma coisa muito engraçada: quando vamos ao teatro, vamos com o desejo e uma predisposição para sermos enganados. Mas isso é normal. Sabemos bem, depois de termos chorado baba e ranho a ver o "ET", que este é um boneco e que temos de poupar a baba e o ranho para outras ocasiões. O problema é que em Portugal a ficção se confunde com a realidade. Portugal é ele próprio uma produção fictícia, provavelmente mesmo desde D.Afonso Henriques, que Deus me perdoe. A começar pela política. Os nossos políticos são descaradamente mentirosos. Só que ninguém leva a mal porque já estamos habituados. Aliás, em Portugal é-se penalizado por falar verdade, mesmo que seja por boas razões, o que significa que em Portugal não há boas razões para falar verdade. Se eu, num ambiente formal, disser a uma pessoa que tem uma nódoa na camisa, ela irá levar a mal. Fica ofendida se eu digo isso é para a ajudar, para que possa disfarçar a nódoa e não fazer má figura. Mas ela fica zangada comigo só porque eu vi a nódoa, sabe que eu sei que tem a nódoa e porque assumi perante ela que sei que tem a nódoa e que sei que ela sabe que eu sei. Nós, portugueses, adoramos viver enganados, iludidos e achamos normal que assim seja. Por exemplo, lemos revistas sociais e ficamos derretidos (não falo do cérebro, mas de um plano emocional) ao vermos casais felicíssimos e com vidas de sonho. Pronto, sabemos que aquilo é tudo mentira, que muitos deles divorciam-se ao fim de três meses e que outros vivem um alcoolismo disfarçado. Mas adoramos fingir que aquilo é tudo verdade.
Somos pobres, mas vivemos como os alemães e os franceses. Somos ignorantes e culturalmente miseráveis, mas somos doutores e engenheiros. Fazemos malabarismos e contorcionismos financeiros, mas vamos passar férias a Fortaleza. Fazemos estádios caríssimos para dois ou três jogos em 15 dias, temos auto-estradas modernas e europeias, mas para ver passar, a seu lado, entulho, lixo, mato por limpar, eucaliptos, floresta queimada, barracões com chapas de zinco, casas horríveis e fábricas desactivadas.
Portugal mente compulsivamente. Mente perante si próprio e mente perante o mundo.
Claro que não é um professor que falta à vigilância de um exame por ficar preso no elevador que precisa de um atestado médico. É Portugal que precisa, antes que comece a vomitar sobre si próprio.»

Dura realidade. Vamos transformar o nosso país num local aprazivel para se viver e livre de algumas espécies virulentas. Vamos ser o antídoto, o remédio, a nova vaga dum Portugal que tanto tem para oferecer e para crescer.

sábado, 7 de julho de 2007

Está nas nossas mãos.


O nosso belo planeta azul nasceu há cerca de 4 mil milhões de anos (4 000 000 000) e durante esse período de tempo evoluiu numa perfeição extraordinária. Tudo o que hoje existe na vida natural vem-se desenvolvendo há muito, daí o perfeito equilíbrio que existe na natureza.
Num exercício de compactação do tempo, se compactarmos os 4 mil milhões de anos em 24 horas os dinossauros surgiram às 23h20, extinguindo-se alguns minutos mais tarde.
No que ao Ser Humano diz respeito, este surgiu, pasme-se, há precisamente 19 segundos, às 23:59:41.
Espantoso. Ainda agora chegamos e já evoluímos imenso, com todo o pendor negativo que essa evolução pode acarretar. Se em 19 segundos nos expandimos desta forma, temo que bastem alguns milésimos para destruirmos o que se criou em 24 magníficas horas.
Este blog tem como intuito primordial ajudar a impedir tal catástrofe, alertando o maior número de pessoas possível, a fim de levarem uma vida mais consciente e equilibrada com o mundo que nos circunda.

(fonte: National Geographic)