quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Um "belo serviço"


Nos dias que correm, em que nos servimos da tecnologia para o mais simples gesto, é natural recorrer a casas especializadas quando os aparelhos do dia-a-dia deixam de funcionar, causando-nos grande transtorno. Pior se torna o cenário quando a reparação é cara e demorada. E pior ainda é quando o aparelho acabou por ficar igual ou ainda pior.
Pois situações destas acontecem mais vezes do que aquelas que possam imaginar.
A revista Proteste deste mês apresenta-nos um cenário dantesco no que ao mundo dos reparadores diz respeito.
A Associação de Consumidores à qual a revista pertence, a Deco, pediu, anonimamente, a várias empresas que reparassem um televisor LCD propositadamente avariado. A avaria era muito simples: o fusível da fonte de alimentação havia sido fundido, logo o aparelho não ligava. Tratava-se portanto de uma reparação simples.
Para os mais curiosos aconselho a leitura da revista, contudo deixo-vos ficar alguns dados:
"Das 27 empresas visitadas, só 3 obtiveram nota global positiva". A Unitron em Lisboa, que reparou o aparelho em duas horas, gratuitamente, foi a mais correcta e eficaz na resolução do problema.
As restantes duas do pódio apesar de terem resolvido o problema demoraram muito a fazê-lo, tendo a Videosoft do Porto cobrado € 61.48 e a A.T.E. de Camarate levado € 74.81.
No que às outras empresas diz respeito, "na lista das principais falhas estão, a utilização de peças erradas, facturas incompletas, preços excessivos e cobrança de peças não substituídas".
Exemplos: Elísio Correia do Porto cobrou € 187,00; a ALC Ibérica de Queluz € 195.00; a Unitécnica de Lisboa € 220.41. Para além destes preços exorbitantes as reparações revelaram-se mal feitas.
"Dos 27 reparadores visitados, 7 cobraram peça não substituídas."
A tudo isto ainda se acresce o facto de algumas empresas se recusarem a passar factura, ou quando a passam esta vem incompleta.

Estes casos passaram-se com um televisor que tinha um fusível avariado. Agora imaginem o que se passará quando um automóvel vai à oficina.
Por isso, a Deco aconselha: faça respeitar as garantias; escolha um reparador com boas referências; peça sempre orçamento; avise a empresa para respeitar o orçamento; quando levantar o aparelho verifique se existe algum defeito visível; e por fim peça uma factura discriminada.

E olho bem aberto!

(fonte: Revista Proteste n.º 283, Setembro de 2007)
(fotogafia: Steve Golem)

domingo, 23 de setembro de 2007

Imigração em queda


Algo está mal quando nem os imigrantes se aguetam no nosso país. Aqueles que fugiram da sua pátria em busca de uma vida melhor, são agora obrigados a fazer segunda escolha (Espanha, França, Alemanha e Bélgica).
Em 2004, por exemplo, e segundo o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, eram 60 mil os ucranianos que viviam legalmente em Portugal, hoje não passam de 37 mil.
Os próprios portugueses estão também a emigrar, novamente, em grande escala.
Que futuro estará reservado para este Portugal? Eu ainda vou ficando, na esperança de contribuir de forma positiva. Apesar de a partida já ter estado mais longe de se concretizar.
A ver vamos.

(fonte: Revista Visão de 20 de Setembro de 2007)
(fotografia: Petrified Collection)

Deixe o carro em casa


Ontem comemorou-se o Dia Europeu Sem Carros, e sendo Sábado foi mais fácil cumprir o preceito. Experimente repetir a experiência, pelo menos, uma vez por mês. Ande a pé, de bicicleta ou de transportes públicos.

(fotografia: Hitoshi Nishimura)

terça-feira, 18 de setembro de 2007

A Verdade e a Política


Ontem participei, a convite do amigo José Carreira, pela primeira vez nos já famosos debates do Clube dos Pensadores. O tema prometia e os convidados também. O fundador do clube Joaquim Jorge convidou para esta noite a Eurodeputada Ana Gomes, o psiquiatra Carlos Pereira e a Advogada Maria Manuel. Na plateia entre muito cidadão anónimo encontrava-se também Narciso Miranda.
Com a excelente moderação de Joaquim Jorge, Ana Gomes abriu a sessão começando por dizer que a política sem verdade não compensa, e que sem a mesma torna-se oportunismo. "Vivemos numa época em que é fácil abastardar-se a política", disse a militante do PS. Frisou ainda que tanto o PS como o PSD desvalorizam as ideologias de base, abandonando as questões de fundo. Referindo que a diferença entre a esquerda e a direita é actualmente pouco visível, tendo anotado ainda que não há ninguém mais à esquerda do que ela, mesmo elementos do PCP. A descaracterização do seu partido tem-na deixado infeliz.
Apesar do tom contestatário, aproveitou para puxar um pouco a brasa à sua sardinha e fazer campanha pelo actual executivo, aplaudindo o Governo em moldes gerais, criticando-o apenas nas questões da igualdade e no continuo crescimento que separa a classe rica, cada vez mais rica, da classe média, cada vez mais pobre.
Terminou a sua primeira abordagem dizendo que "um Estado socialista deve ter como prioridade de primeira linha o combate à corrupção".
A intervenção de Maria Manuel pautou-se por breves alusões à dificuldade de debater esta questão, referindo que existem várias teses sobre política e sobre verdade.
Carlos Pereira começou por comparar a luz que incide num cristal com a forma como cada um vê o refraccionamento da mesma consoante a posição em que observa o fenómeno, passando-se o mesmo entre a verdade e a mentira, ou seja, depende da perspectiva.
" A qualidade dos nossos políticos é muito má e quando vão para Lisboa, e como diz um amigo meu, e se tornam alisbonados ainda pior", criticou o psiquiatra.

Algumas frases que me ficaram no ouvido:

Joaquim Jorge:

"Os políticos pensam que estão tão alto, tão alto, que tudo lhes passa por baixo."

"Meteu-se na cabeça que um político para ter sucesso tem que mentir."

"Detesto mentiras e odeio manipulações."

"O sistema político está esgotado."

"Telefonam dos partidos para não virem aqui."

Ana Gomes:

"O Governo devia ter recebido o Dalai Lama."

"Temos os políticos que temos porque o permitimos."

"Deixar de votar é a pior das soluções."

Carlos Pereira:

"Reinventamos aqui a cidadania."

"Não há liberdade de pensamento onde não há liberdade económica."

"Sofro com a emigração, com a diáspora que se está a dar."

"Há verdade conveniente e verdade inconveniente."

Narciso Miranda:

"É cada vez mais difícil fazer política com verdade no nosso país. O problema está no funcionamento dos partidos."



Obrigado Clube dos Pensadores.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Taxa de Acesso a Garagens


Há alguns dias tive conhecimento, através de uma circular do condomínio, que teria que efectuar um pagamento relativo à Taxa de Acesso a Garagens.
Numa primeira análise este imposto pareceu-me ridículo, pois não visa só as garagens como também abarca: pátios, armazéns, acessos a oficinas de reparação automóvel, parques de estacionamento, stands de automóveis, instalações fabris, estações de serviço e outros locais privados.
Como não podia deixar de ser esta medida tem levantado muitas críticas, pois é um imposto que cai não se sabe bem de onde. Como se já existissem poucos.
A Câmara Municipal de Gaia deixa aqui bem patente o seu típo de política "inteligente".
Que imposto inventarão a seguir?

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Salazar e Cunhal


Quem diria que estes dois senhores, algum dia, iriam ficar lado a lado, juntos e com o mesmo fim?!
A vida tem destas coisas e desta feita juntou Salazar e Cunhal nos escaparates das livrarias.

sábado, 8 de setembro de 2007

Escrever assim dá prisão


Existem vários tipos de ficção, aquela que não passa disso mesmo, a que tem bases reais, e a que supondo-se ser ficção é na verdade o relato pormenorizado dos factos passados.
Para quem nunca ouviu falar, Amok é o título de um best-seller escrito por um autor polaco de seu nome Krystian Bala. A narrativa aborda um homicídio de contornos passionais.
Até aqui tudo normal, não fosse o facto de, três anos antes, o autor ter sido também o misterioso assassino de um homem chamado Darius J.
A autoridades encontrava-se num beco sem saída, até que uma chamada telefónica aconselhou o responsável pela investigação a ler Amok. A partir daí o caso ficou desbloqueado, pois no livro eram relatados pormenores até então só do conhecimento da polícia.
As semelhanças do crime narrado com o crime real eram tantas que a polícia não teve dúvidas. E assim um crime quase perfeito teve o final merecido. Tudo porque o assassino achou por bem publicar a história e dar-lhe contornos ficcionais, que de facto tiveram enorme sucesso e o catapultaram para o top de vendas.

"Na novela, como na realidade, o protagonista do crime, levado por ciúmes, sequestrou o amante da mulher num sótão durante três dias, sem lhe permitir comer, apunhalando-o antes de o lançar ao [Rio] Oder, onde viria a morrer de afogamento" (In. Jornal Público On-Line).

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Onda de Assaltos


Ultimamente o número de assaltos tem vindo a aumentar no nosso país, seja a instituições bancárias, ourivesarias, ou outros estabelecimentos de valores. Não só o seu número aumentou como também subiu o índice de violência praticado nos mesmos.
Num pais que muito há de terceiro mundista não é de admirar que assim seja e que o descontentamento se possa também reflectir nestas atitudes extremas.
Compare-se um país evoluído, por exemplo a Finlândia, ou a Noruega, com um país subdesenvolvido, como a Colômbia ou a Venezuela. O índice de criminalidade é esmagadoramente superior nas regiões carentes. E quando digo carente refiro-me à economia, saúde, educação, emprego, direitos humanos, etc.
A violência é proporcional à cultura de um país. Mas para se atingir o grau cultural desejado tem que haver o que comer, empregos, respeito pelos direitos humanos, segurança, um bom sistema de saúde, entre outros.
E onde se situa Portugal no meio disto tudo? Com uma classe politica mal formada e agarrada a tachos.
Esta onda de assaltos violentos reflecte, na minha opinião, a situação do país, o descontentamento para com as políticas seguidas e consequente desrespeito pelo Zé-povinho.

(fotografia: Daniel Allan)

sábado, 1 de setembro de 2007

Red Bull Air Race


Admito que não sou dado a grandes multidões, mas dentro de momentos vou-me embrenhar numa.
O espectáculo da Red Bull Air Race parece-me um acontecimento único que tem trazido imensa cor e agitação à zona ribeirinha do Porto e de Gaia.
Também pelo espectáculo, mas sobretudo pela paisagem, irei assistir ao encontro de mais de meio milhão de pessoas numa zona belíssima da cidade, com um rio maravilhoso, edifícios fantásticos, um sol de Verão e, para completar, umas avionetas que fazem umas acrobacias a pouco mais de meia duzia de metros do solo, a cerca de 400Km/hora.

A minha única "dúvida" é se os meus impostos não terão contribuido para o espectáculo!