domingo, 17 de julho de 2016

A moda das cesarianas

O aumento das cirurgias na hora do parto não é assunto novo, mas cada vez mais vem à baila, pois tem aumentado em todo o mundo, apesar dos alertas. Recentemente, saiu no jornal Expresso um artigo que aborda esta temática, datado de 20 de junho, intitulado: Mitos e verdades do parto por cesariana. Nele se esbatem as razões que levam maioritariamente à cirurgia para o parto. Uma boa parte é escolha da própria mãe, que julga assim causar menos sofrimento à criança e que ela própria irá sofrer menos, mas ledo engano, pois esse tipo de parto trará muito mais complicações, tanto para a mãe como para a criança (ver imagem abaixo).

Muitas mulheres na tentativa de fugir à dor, ao medo, e por julgarem que esse menor sofrimento trará benefício também à criança optam por essa modalidade, muitas vezes apoiadas pelos médicos, sobretudo do setor privado, pois assim terão um parto agendado, evitando o “transtorno” de ter de se deslocar ao hospital durante a noite ou ao fim-de-semana. 

Em Portugal a taxa de cesarianas no público ronda os 28% da totalidade dos partos, mas no privado essa taxa chega aos impressionantes 66%. Há médicos que têm no seu registo pessoal 100% de cesarianas nos partos que fazem. No Brasil, o público tem uma taxa de 55,6%, ao passo que o privado ultrapassa os 80%. Já na Islândia, os números são os mais baixos, 15,2% no público.

«(…) a falta de contacto dos recém-nascidos com os microorganismos da cavidade vaginal altera a reação imunitária do intestino, o que resulta em 25% de probabilidade de estes bebés virem a desenvolver diabetes tipo 2, asma e obesidade», diz Ayres de Campos da CRTC.

O parto provocado, também muito em voga, muitas vezes por comodidade e não por real necessidade, leva com frequência à necessidade de cesariana.

Muitos mitos há sobre esta temática, e muitas mulheres, muitas famílias, optam pela cesariana por julgarem que será melhor para elas e para a criança, não estão informadas do verdadeiro perigo que tal ato pode acarretar.


Viver no século XXI e usufruir da medicina evoluída, da ciência, da tecnologia, é uma mais valia, e realmente quando necessária a cesariana salva vidas, mas só nesses casos, jamais se deveria usar só para comodidade médica ou por capricho da mãe (que tem o dever de proteger a criança), ou pior ainda, por desinformação. Cabe ao médico agir consoante a sua responsabilidade para com a saúde da mãe e sobretudo da criança que não tem opção de escolha.


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