sábado, 5 de julho de 2008

A Tomada de Consciência


A Revolta

Milhões de homens caminham em direcção ao abismo da extinção da espécie humana. Marcham tal batalhão inerte e hipnotizado pela guerra. À primeira vista não compreendem para onde se dirigem, não há tempo para reflectir sobre o caminho que tomam, a vida conturbada não o permite.
Entre esse aglomerado de milhões de indivíduos surgem pequenas facções, plenamente conscientes dos passos que estão a dar e tentam demover os restantes. Mas não raras vezes ainda são agredidos por estes.
Enquanto a marcha prossegue, e ao fundo já se vê o fumo negro da fornalha que a todos consumirá, ouvem-se vozes de alerta de seres que suplicam aos demais que não é este o caminho correcto. Pequenos grupos unem-se e lutam contra os generais do batalhão, contudo as suas armas não passam de palavras certeiras, ao passo que os “zombies” agridem violentamente aqueles que tentam ajudar.
Um ou outro junta-se aos pequenos grupos, apesar da maioria seguir lentamente em direcção à escuridão, como uma espécie de corrente de lava.
O calor abrasador já se faz sentir, mas ainda é tempo. A resistência luta arduamente e apesar de ínfimos os resultados começam-se a verificar. Os revoltosos tentam inverter o sentido da marcha do batalhão, mas por enquanto a corrente ainda é demasiado forte, são necessários mais voluntários para demover os que ainda não se aperceberam do caminho que estão a tomar.
O tempo urge, precisamos de ti.

A Batalha

Espadas cintilam no ar e embatem violentamente contra lâminas inimigas. Feixes de luz cortam a noite e fortalecem o luar que ilumina o campo de combate. Vultos dançam a coreografia da vida e da morte.
Hoje as espadas e o campo de batalha são outros, mas luta-se igualmente numa noite de luar, insuficiente para se ver ao longe. Aguardamos o raiar do dia e a vitória. Esperamos a luz.

A Vitória

Corpos exaustos da luta, sem capacidade para levantar por mais uma vez que seja a sua espada, guardam ainda energia para a dança da vitória. Dançam ao som de tambores inebriantes, iluminados por fogueiras altas e calorosas.
Movem-se em pleno êxtase e de olhos fechados agitam os braços no ar ao ritmo do som.
O dia começa a raiar e milhares de mãos estendidas ao alto recebem a luz que traz uma nova oportunidade, um novo dia.

(Fotografia: Chase Jarvis)

2 comentários:

papoila disse...

Mudar o mundo está dificil...mas não impossivel...que bom saber que afinal, mesmo sendo poucos...a vitória sempre suge apesar da luta , do esforço

obrigada

SILÊNCIO CULPADO disse...

Querido amigo
Ao tomarmos consciência da necessidade da mudança estamos já a dar um passo em frente.
Apesar de tudo eu acredito´.

Abraço