sábado, 21 de novembro de 2009

Breve reflexão

A maioria dos indivíduos não se sente realizada e julga que o outro é mais feliz do que ele, e vice-versa. Passamos por um período de carência motivacional, e para restabelecer a confiança há que voltar a dar atenção às pequenas coisas.

A satisfação pessoal atingiu níveis de grande exigência e o ser humano já não se satisfaz somente com o que lhe é natural, a vida em si, o facto de poder usufruir dos cinco sentidos, de poder correr por uma ladeira, de braços abertos, em direcção ao mar, sentindo a brisa. Já não se satisfaz com uma simples conversa de café, e muito menos com os seus afazeres.

Tudo parece desmoronar-se perante o tempo, que é sempre curto, obrigando à constante correria. Mas o constrangedor é que muitos não sabem para onde correm.

A satisfação no século XXI é baseada em posse, em materialismo, em poder, ou pelo menos, e na maioria dos casos, na sensação de poder.

A realização não advém da correria desenfreada, mas das pausas ponderadas feitas a momentos precisos. Momentos de análise do percurso, momentos de interiorização, de assimilação.

A realização não carece necessariamente de uma conta de milhões, mas sim de uma mão cheia de amigos, de pessoas com as quais podemos contar e evoluir. Essa é uma grande riqueza.

5 comentários:

Susana Inácio disse...

Gostei muito do que aqui escreveu. Subscrevo inteiramente. Esta era da Internet, que tantas coisas boas nos traz, e m... Ler maisás também, onde nunca estivemos tão perto uns dos outros, e tão longe, ao mesmo tempo...
Deixo aqui uma citação de Mia Couto, que li algures:
"...Nunca o nosso mundo teve ao seu dispor tanta comunicação. E nunca foi tão dramática a nossa solidão. Nunca houve tanta estrada. E nunca nos visitámos tão pouco. Sou biólogo e viajo muito pela savana do meu país, nessas regiões encontro gente que não sabe ler livros, mas que sabe ler o seu mundo, nesse universo de outros saberes, sou eu o analfabeto. Não sei ler sinais da terra, das árvores e dos bichos. Não sei ler nuvens, nem o prenúncio das chuvas. Não sei falar com os mortos, perdi contacto com os antepassados que nos concedem o sentido da eternidade. Nessas visitas que faço à savana, vou aprendendo sensibilidades que me ajudam a sair de mim e a afastar-me das minhas certezas, nesse território, eu não tenho apenas sonhos. Eu sou sonhável."...

Maria Manuel disse...

A tua reflexão é oportuna e cheia de sentido. É preciso termos essa consciência para não andarmos na correria de algo que não sabemos bem o que é. De facto termos um ideial pelo qual lutar torna a vida tão cheia. E com isso os amigos e a familia. É perfeito. Pena que a humanidade aina não tenha descoberto não há nada mais recompensador do que fazer algo pelos outros. O nosso trabalho deveria ser a nossa missão. Infelismente nem sempre isso é possível... e acabamos motivados pelo salário. Cabe ao lideres de grandes empresas fazer delas um local onde os seus trabalhadores se sintam integrados numa missão e leais aos seus principios!!! Fica essa esperança! Beijinhos querido amigo. Maria

Marco Santos disse...

Obrigado Maria.
Beijo.

Bruno Vilela disse...

Carpe Diem amigão, isso mesmo.

Indy disse...

Excelente comentário. Beijinhos Kitos***